Urbanization

Reinventando a roda: o futuro do ciclismo urbano

A via SkyCycle será uma ciclovia suspensa exclusiva de 220 km, percorrendo Londres por cima da ferrovia (incluindo um trecho flutuante ancorado no leito do rio Tâmisa). Esse projeto visionário permitirá uma nova forma de conexão em alta velocidade entre os dois lados da cidade.

Em curto prazo, a cidade prevê investir 900 milhões de libras esterlinas (1,4 bilhões de dólares) em um dos projetos infraestruturais de ciclovias mais ambiciosos da Europa, chamado de East-West Cycle Superhighway. A ciclovia separada terá quase 30 km, interligando o lado oeste ao lado leste de Londres.

Urbanization
Nossas cidades, nosso futuro - A urbanização, uma tendência que não mostra sinais de diminuição, mudará muito a forma como vivemos, trabalhamos e interagimos em nossas comunidades.
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Criado em 12/08/2015

London's SkyCyle

Os objetivos destes projetos são simples: tornar o ciclismo mais seguro, acessível e agradável. Em horários de pico, as bicicletas já representam 25% do movimento no centro de Londres. Com o incremento na infraestrutura, a expectativa é de que ainda mais pessoas usem esse meio de transporte, resultando simultaneamente em um tráfego mais ágil, na redução da poluição e na melhora da saúde. Para os cidadãos londrinos, é uma proposta em que todos ganham.

Mas Londres não é a única pioneira no ciclismo urbano.

 

Visitando o passado para escrever o futuro

As bicicletas existem há muito tempo. Por volta de 1880 elas assumiram a forma básica que conhecemos hoje. Mesmo com o domínio do transporte motorizado no século 20, as bicicletas, em suas diversas formas, nunca tiveram o destino dos cavalos e das carroças. Hoje, elas vivem um renascimento.

Isso se aplica principalmente às cidades, pois as bicicletas se encaixam na vida urbana como nenhum outro meio de transporte. Elas são limpas, ecológicas, relativamente baratas e frequentemente são o meio de transporte mais eficiente em espaços urbanos congestionados. Não é por acaso que diversas cidades, principalmente na Europa, estão incentivando seu uso, criando novas infraestruturas e, às vezes, inovando as formas de usar aquelas já existentes.

Europa: a fronteira do ciclismo urbano

Quando se trata de reinventar a roda para o ciclismo urbano, a Europa está visivelmente à frente. Explore alguns dos destaques aqui:

  • Na província holandesa de Brabante, blocos de pedra integrados iluminam a primeira ciclovia do mundo que brilha no escuro. O design de Daan Roosegaarde usa o tema “Starry Night” (noite estrelada) em tributo a Van Gogh.
  • Em Groningen, cidade medieval da Holanda, o zoneamento do centro da cidade foi totalmente redefinido para eliminar o tráfego de veículos cruzando a cidade – com exceção das bicicletas, que podem cortar a cidade e alcançar o destino com rapidez.
  • Também na Holanda, o imponente Eindhoven Hovenring, de 72 metros, eleva os ciclistas acima do tráfego de automóveis em uma ponte circular estaiada, suspensa por uma única torre de 70 metros.
  • Em Copenhague, capital dinamarquesa, os semáforos são sincronizados para permitir um fluxo contínuo do tráfego de bicicletas. Outros destaques incluem lixeiras inclinadas, rampas especiais, encostos para os pés nos semáforos e indicadores de LED nas ciclovias.
  • Copenhague criou a conexão que faltava para os ciclistas com a construção da “Cykelslangen”, uma ponte para bicicletas que serpenteia o centro da cidade.
  • A metrópole alemã Munique planeja construir as chamadas “autobahns para ciclistas”, que cruzarão a cidade e facilitarão um ciclismo mais rápido e sem paradas – e seriam amplas o suficiente para o trânsito em mão dupla e com reboques, sem carros por perto.
  • Novamente em Londres, outra sugestão que tem sido considerada – a London Underline – converteria túneis ferroviários excedentes ou subutilizados no subsolo em uma série de ciclovias subterrâneas.

 
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Inovando a partir do zero

Outras cidades, como Barcelona, Dublin ou Paris, são exemplos de como qualquer área urbana pode transformar-se, em apenas uma década, literalmente em uma cidade sobre duas rodas. Elas o fazem por muitos motivos, incluindo simplesmente porque é razoável. Seja reorientando estruturas subutilizadas ou abandonadas, reajustando espaços existentes ou realizando novas obras, promover o ciclismo melhora o ambiente urbano.

Conceitos de mobilidade inteligente vão além

Equipar as cidades para um ciclismo mais seguro e eficiente é apenas um dos elementos dos conceitos de mobilidade ecológica. Para reforçar o efeito destas ideias, elas devem ser combinadas com outras abordagens inovadoras para a locomoção livre de emissões. Um fator chave é ampliar o alcance e a interconectividade do transporte público, como propõe o conceito ACCEL.

Além disso, os ciclistas devem poder guardar suas bicicletas em locais seguros e carregá-las em metrôs, trens e até mesmo até seus escritórios e lares, com a ajuda de elevadores aptos a transportar bicicletas. O URBAN HUB irá tratar deste assunto futuramente, em relatos sobre o ciclismo e soluções de transporte multimodais. Afinal, a soma de todas estas ideias, grandes ou pequenas, tem por objetivo ajudar as cidades a se tornarem mais habitáveis e sustentáveis.

A pirâmide inversa do tráfego

Em favor da saúde, de um maior senso de comunidade e da redução do ruído e da poluição, as bicicletas estão próximas ao topo daquilo que as sociedades urbanas precisam. 

infográfico de a pirâmide inversa do tráfego
 
Amsterdam Loves Bikes!

Credits

Image of Cycle Superhighway: Got the blues by Tom Page under licence CC BY-SA 2.0