Technology

Explorando a digitalização do local de trabalho no projeto, construção e serviços urbanos

Os otimistas dirão que a digitalização dificilmente substituirá as ocupações e categorias de trabalho existentes. Em vez disso, os funcionários serão liberados da execução de certas tarefas, permitindo que se concentrem em novas atividades. Ou seja, os trabalhos continuarão, mas tarefas específicas e as habilidades necessárias serão outras.

Mas os espaços de trabalho já estão mudando. Os empregos estão ficando mais seguros, a produtividade de cada trabalhador está aumentando conforme eles aproveitam as vantagens da conectividade em nuvem e a Internet das Coisas (IoT) e assumem o controle de várias máquinas inteligentes interligadas. O Urban Hub analisa como isso está acontecendo nos campos de planejamento, construção e prestação de serviços em nossas cidades.

Technology
Usando menos recursos para uma mudança maior - O que faz o mundo evoluir? Tecnologia inovadora. E nas áreas de mobilidade, construção, energia e fabricação, são principalmente as inovações ecológicas que estão mudando a forma das pessoas interagirem com o meio ambiente e formá-lo.
721 visualizações

Criado em 17/03/2017

Construção – o retardatário ganha força

Embora a construção não seja uma das forças por trás da digitalização, estamos começando a ter uma ideia de como a digitalização afetará o setor. Por exemplo, os operadores de máquinas poderão comandar suas máquinas a distância. Ao ficarem sentados em uma sala de controle, eles poderão supervisionar e monitorar várias máquinas automatizadas com ajuda da telemática veicular.

Nesse meio tempo, a Inteligência Artificial (AI, Artificial Intelligence) vem sendo usada com sucesso no campo. Em um exemplo, os drones farão os levantamentos dos canteiros de obra para coletar dados rapidamente. Ligados à IoT por meio da computação em nuvem, essas informações podem ser transformadas em mapas 3D e plantas via AI. /p>

A AI também é um componente-chave em Modelagem de Informação da Construção (BIM, Building Information Modeling). BIM, também conhecida como Virtual Design & Construction (VDC), cria um modelo virtual (geralmente 3D) de uma construção. Isso cria uma “única fonte de verdade” para os arquitetos, engenheiros, clientes e operários da construção, que pode ser acessada por dispositivos interligados. O compartilhamento de informações é simplificado e garante que todos tenham as informações mais recentes em tempo real a respeito de planos ou modificações.

Outro desenvolvimento no setor da construção é na produção de componentes de construção modulares ou pré-fabricados nas fábricas. O uso de robótica e impressão 3D corta custos e tempo de produção, além de simplificar a montagem no local. Os construtores usam tecnologia junto ao corpo, como um visor montado na cabeça de Realidade Aumentada (AR, Augmented Reality) para instruí-los, já que a construção está se tornando algo como brincar de Lego.

Outro exemplo é a HoloLens, da Microsoft, um computador holográfico montado na cabeça com várias aplicações industriais, incluindo uma usada pela thyssenkrupp Elevator para transformar radicalmente suas operações de assistência.

O futuro da construção já está em andamento.

“Atualmente, o uso de AI nos locais de operação é limitado. Mas está crescendo, especialmente em aplicações envolvendo a visão da máquina para levantamento e análise de materiais e estruturas, ou para aplicações robóticas, como trabalho de alvenaria automatizado ou veículos autônomos.”

Dan Kara, diretor de pesquisas, robótica, ABI Research

A digitalização está transformando a construção em algo divertido.
A digitalização está transformando a construção em algo divertido.
 

Arquitetura e planejamento urbano – integração de uma visão mais detalhada

O URBAN HUB já havia analisado os novos materiais e construções inteligentes, mas aqui vamos observar os arquitetos e suas ferramentas. As tecnologias de AR, VR (Virtual Reality) e MR (Mixed Reality) estão melhorando esses trabalhos, deixando-os mais simples e divertidos. E, ainda que essas ferramentas ainda não estejam totalmente integradas à BIM, em breve elas estarão.

Como mencionado anteriormente, a colaboração de projeto é essencial para um bom planejamento, assim como a capacidade de transmitir realisticamente o máximo de informação possível. Os arquitetos e planejadores estão transformando informações BIM ou CAD (Concepção assistida por computador) em modelos 3D há alguns anos. Recentemente, isso ficou bastante simples e pode ser transformado em uma experiência de VR ‘guiada’ realista, permitindo que os projetistas tenham a oportunidade de entender como os modelos seriam na realidade, para as pessoas que vivem e trabalham no prédio finalizado.

Esse desenvolvimento é possível por causa de duas novas tendências. Uma delas é a de que arquitetos e planejadores estão começando a aprender a desenvolver código de computador. A outra tendência é o uso dessa capacidade para adaptar ferramentas de jogo ao trabalho. Google Daydream, Oculus Rift e Playstation VR são alguns dos muitos produtos voltados ao consumidor que estão sendo adaptados para o desenvolvimento, planejamento e construção urbanos.

Muitas dessas ferramentas incorporam algum tipo de AI, embora ainda seja o que chamamos de ANI (Artificial Narrow Intelligence) ou, de maneira mais explicada, ‘AI fraca’. Mas até a AI fraca pode ser poderosa. Por exemplo, o mapeamento espacial de uma área na qual está sendo planejado um novo prédio ajuda a garantir que o prédio esteja de acordo com as outras construções. Software com base em AI agora pode executar esta tarefa em um tempo muito menor do que seria manualmente, e produzir um mapa virtual de múltiplas camadas com muito mais informações do que um simples modelo 2D.

O planejamento de estradas também será simplificado. A Tesla usa o software Autopilot em todos os seus carros, que automaticamente carrega informações de estradas e tráfego sempre que o veículo está em uso. Com armazenamento em nuvem, esse Big Data poderia ser acessado por planejadores urbanos para fins de tomada de decisão baseada em dados. Os dados revelariam claramente como fazer com que o fluxo de tráfego seja mais eficiente por meio de reparo ou ampliação de determinadas estradas, modificação das configurações de semáforo etc.

Serviços municipais – digitalizando os cargos de assistência urbana

Além de tomar as decisões finais relativas ao planejamento urbano, os governos municipais são responsáveis por muitos dos serviços que mantêm a cidade em funcionamento. O URBAN HUB já fez uma análise das cidades inteligentes, um componente-chave para elas são as mudanças digitalizadas que tornam as cidades mais eficientes. Considerando isso, como a digitalização está transformando os serviços essenciais das cidades, como combate a incêndios, policiamento e saneamento?

  • Combate a incêndios

    Com calor e fumaça intensos em volta, com todo o peso dos equipamentos, os bombeiros devem executar seu trabalho com uma tremenda falta de percepção sensorial. Mas ao instalar uma câmera de termografia no capacete e incorporar uma tela de AR transparente na máscara, eles conseguem localizar mais rapidamente pessoas presas em prédios pegando fogo, além de conseguirem identificar e evitar espaços especialmente perigosos. Enquanto isso, os pesquisadores da Universidade de Viena estão trabalhando em uma forma de usar sensores de aquecimento no capacete e geração de imagens térmicas para criar um mapa virtual do entorno do bombeiro, o que pode ser implementado de maneira semelhante em uma tela instalada no capacete para aumentar a segurança de todos.

  • Policiamento

    Os policiais são os primeiros a chegarem quando os cidadãos estão em apuros. Em Detroit, um incêndio devastador uniu policiais e bombeiros e isso resultou no desenvolvimento de uma ferramenta digital que os dois grupos usam agora a caminho para uma emergência. A ferramenta oferece acesso a mapas, localização de extintores, desativação de serviços, localização de materiais perigosos, plantas etc., incluindo os moradores nas proximidades que precisam de assistência especial. Os drones e “robôs de monitoramento” também estão sendo usados pelos serviços da polícia para detectar crimes e manter os transeuntes em segurança.

  • Saneamento

    Essencial para a saúde pública das cidades, o saneamento engloba desde áreas desiguais até água potável e tratamento de esgoto. Quais mudanças são trazidas para essa área pela digitalização? Para empreendedores, muitos habitantes das cidades em todo o mundo vivem em sistemas de tratamento de esgoto “descentralizados” ou sem tratamento. Eventualmente, esses “recursos do banheiro” (ou dejetos) podem ser integrados na economia circular para criar adubo e biogás. Enquanto isso, os sensores remotos de baixo custo podem alertar os coletores quando um banheiro sem água estiver cheio, eliminando a ação antecipada por parte dos funcionários de saneamento. Ao mesmo tempo, os medidores inteligentes estão transformando o fornecimento de água. Os leitores de medidores não precisam mais bater de porta em porta e os consumidores podem economizar dinheiro ao escolher horários sem movimento para tomar banho, lavar as roupas ou a louça.

 

Fazendo a melhor transição para o espaço de trabalho digitalizado

As partes 1 e 2 desta série examinaram a primeira onda de um tsunami tecnológico em nossa direção, e como o espaço de trabalho já está mudando por causa disso. Algumas funções estão sendo eliminadas e outras estão surgindo. De uma forma ou de outra, a digitalização está mudando os negócios e os empregos relacionados a isso.

Considerando isso, como as empresas, governos e funcionários podem se preparar melhor e gerenciar essas mudanças? O que os especialistas estão dizendo sobre isso? O que já está sendo feito, ou testado, para que haja uma transição perfeita para os trabalhadores urbanos? E quais funções específicas estão sendo desempenhadas pelos governos, empresas e funcionários para adaptar seus empregos a um espaço de trabalho digitalizado com sucesso? O URBAN HUB analisará essas questões na parte 3.