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Entrega de mercadorias por drones está decolando

Entrega por drones: a ideia vem sendo discutida nos últimos anos. O entusiasmo foi impulsionado pelo anúncio da Amazon sobre o lançamento do Prime Air, com a promessa de entregar as mercadorias em trinta minutos. As entregas por drones são realmente uma realidade ou pura ilusão?

As redes varejistas e os serviços de entregas de encomendas estão brigando pela pole position e buscando inovações, mas outros campos, como o de fornecimento de suprimentos médicos, já estão tendo um grande impacto com redes pequenas. As cidades também estão explorando as possibilidades do uso de drones em áreas de alta densidade. O Urban Hub analisa os regulamentos e soluções que ainda precisam surgir.

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Usando menos recursos para uma mudança maior - O que faz o mundo evoluir? Tecnologia inovadora. E nas áreas de mobilidade, construção, energia e fabricação, são principalmente as inovações ecológicas que estão mudando a forma das pessoas interagirem com o meio ambiente e formá-lo.
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Criado em 17/01/2018

O drone aterrissou

A fascinação por tecnologias automatizadas, autônomas e conectadas está crescendo, especialmente com respeito à forma dessas transformações em nossas vidas e locais de trabalho. Elas podem reduzir o congestionamento nas estradas e poluições e tornar os serviços supereficientes. O drone é tecnologia de última geração e promete uma velocidade sem igual às entregas.

Graças às manchetes sobre seu serviço de entregas por drones chamado Prime Air, a Amazon parece estar liderando essa competição. Mas outros gigantes globais, como Google e Walmart, não estão ficando para trás. A UPS até propôs uma mistura única de entrega por caminhão e drone, o que tem o potencial para acelerar a implementação da entrega por drones nos centros urbanos.

As redes de drone de menor escala já estão em operação. Por exemplo, já há drones sendo usados com sucesso para fornecer suprimentos médicos em áreas remotas. Outros setores estão estudando o uso dos drones, que vai desde a construção até o levantamento topográfico e entregas postais.

Até agora, esses exemplos só mostraram os drones em áreas pouco povoadas ou áreas suburbanas. No entanto, cidades como Zurique, na Suíça, e Reykjavík, na Islândia, também estão aderindo à ideia, fazendo testes e explorando como os drones poderiam melhorar a infraestrutura e os serviços prestados pelas cidades aos cidadãos.

E qual é o nível de confiança dos consumidores em relação à entrega por drones?

Por que toda a atenção está voltada para os drones?

A princípio, o drone parece mais um brinquedo do que um dispositivo sofisticado que irá mudar a forma como compramos ou recebemos as mercadorias. Porém, as mentes inovadoras estão desenvolvendo rapidamente ideias para novas infraestruturas e modelos de negócios a fim de explorar seu potencial. Por quê?

A vantagem mais óbvia: a velocidade. Os drones voam em linhas retas de a para b, o que significa que não haverá mais caminhões de entrega rodando por estradas cheias de curvas. Além disso, eles sobrevoam os engarrafamentos em áreas urbanas congestionadas. Áreas remotas com pouca infraestrutura rodoviária ficam mais acessíveis. Os clientes também gostam do potencial de rastreamento do progresso do drone, acabando com os horários de entrega incertos.

A entrega por drones reduzirá os custos com mão de obra dos serviços de entrega. Isso cria um melhor ROI para os negócios. O drone também pode reduzir o impacto ambiental em comparação com os modos tradicionais de entrega. Mais rápidos, com uma melhor eficiência de custo e menor impacto ambiental, os drones podem oferecer aos comerciantes uma vantagem competitiva crucial.

E por que nem todo mundo entrou nessa?

Uma notícia faz parecer que a entrega por drones chegará em breve em uma casa perto de você, enquanto outras notícias dizem que isso só acontecerá em um futuro distante. Então qual é o status real? A tecnologia está acompanhado o ritmo? As determinações legais necessárias entrarão em vigor? E como anda a confiança dos consumidores?

Os voos de drones totalmente autônomos já estão sendo usados para inspecionar operações de mineração e locais de construção. A tecnologia operacional do drone se tornou simples de utilizar. Mas para o uso em entregas, é necessário trabalhar ainda mais em aspectos como prevenção de colisões, redução de ruídos e voos em condições climáticas desfavoráveis, além da infraestrutura de logística em geral.

O obstáculo real são as regulamentações. Nos EUA, a FAA (Federal Aviation Administration, em português Administração Federal de Aviação) estipula que os drones devem ser controlados por operadores humanos e devem ficar em seu campo de visão. Em 2017, novas regras permitiram que governos locais conseguissem uma isenção para efetuar testes com sistemas de tráfego aéreo de drones, mas isso ainda está muito longe de ser um sinal verde para os drones.

Além disso, os espaços aéreos com tráfego potencialmente intenso necessitam de um sistema de gestão de rastreamento automatizado sofisticado, o que ainda não está disponível. A NASA está trabalhando com os líderes do setor de drones para desenvolver um sistema deste tipo, mas a data para conclusão não será antes de 2025.

Independentemente da tecnologia ou das normas, a confiança do consumidor será o fator decisivo. Com uma promessa de uma satisfação quase instantânea, os consumidores abrirão suas portas para a entrega por drones, segundo algumas pesquisas. Mas outros indicadores mostram que eles primeiro precisam ter certeza de que a entrega por drones é segura e não comprometerá sua privacidade antes de abraçar essa ideia.

Economia do drone

Além de reduzir os custos com mão de obra, a entrega por drones está sendo anunciada como extremamente mais econômica do que a entrega por caminhões. Mas se só é possível fornecer um pacote de cada vez antes de retornar ao depósito, como isso será possível?

A regra das entregas “last mile” (a parte crítica no trajeto de um produto) é que a entrega de muitos pacotes em um período ou distância curtos mantém os custos por entrega baixos. Isso também se aplica se muitas encomendas forem entregues em um mesmo local. Mas se os pacotes forem leves (com menos de 2,2 kg) e forem entregues em distâncias curtas (idealmente a menos de 16 km), a economia começa a ficar a favor dos drones.

Mas esse potencial só pode ser explorado se as empresas investirem desde já na construção de centros de fornecimento em toda a área que desejam englobar. Para alguns, isso pode ser um pequeno obstáculo. De acordo com o Walmart, 70% da população norte-americana vive dentro de cerca de 8 km de uma filial do Walmart, e a Amazon já está se concentrando nos edifícios chamados de “armazéns”.

 

Pacotes caindo do céu – assista à primeira entrega do Prime Air como parte de um período de teste em Cambridge, Reino Unido.

A corrida pela entrega por drones já começou

A Amazon anunciou o lançamento do Prime Air no fim de 2013. Ela fez um contrato com a Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido para começar os testes de entrega nas periferias inglesas em 2016. A primeira entrega do Air Prime, feita por um drone guiado por GPS a uma altitude de 400 pés, foi feita em apenas 13 minutos. A Amazon planeja expandir os testes a dezenas de clientes na área de Cambridge, Reino Unido.

Em 2017, o Google participou de uma série de testes realizados pela NASA e a FAA. O projeto de drone “Project Wing” está desenvolvendo um software para gerenciar automaticamente todos os tipos de drones de vários fabricantes. Se tiver sucesso, uma parte importante do sistema de entregas por drones estará pronta. Até lá, os drones do Project Wing podem ser vistos em testes na Austrália fazendo entregas de burritos!

A UPS não tem planos para substituir os caminhões de entrega, mas sim complementá-los com um drone. Em vez de se preocupar com a construção de mais depósitos, o caminhão deixará os pacotes mais próximos do destino final e o drone os levarão até o ponto de entrega. A UPS  calcula que o corte de aproximadamente 1,6 km de cada rota economizará US$50 milhões por ano. A combinação caminhão/drone também pode ser a solução perfeita para as cidades.

Drones e caminhões – fazendo entregas juntos

Acabando com todos os obstáculos de a até b

Com os primeiros testes em andamento, há muitas oportunidades para acabar com os obstáculos na logística e infraestrutura, além de apresentar algumas inovações interessantes para abordar cada etapa da cadeia de suprimento, desde o centro de fornecimento até a descarga final.

O depósito será o núcleo da rede de entregas por drones. Enquanto a imagem de uma paisagem com vários depósitos para facilitar as entregas por drones não é nem um pouco atraente, ela é plausível. As cidades, no entanto, apresentam um problema. A solução dos sonhos da Amazon é uma torre urbana tipo “colmeia”, um depósito de vários níveis capaz de mandar dezenas de drones diretamente para os céus.

No lado do destinatário, os clientes podem receber um ponto de aterrissagem que sinaliza ao drone onde ele deve pousar. Nas cidades, os terraços podem se tornar os portos de recebimento. Outras soluções incluem uma opção de lançamento por paraquedas. Para que os clientes não tenham medo de se ferir, estão sendo projetados novos drones com pernas mais longas e mecanismos que param as hélices quando eles se aproximam de um objeto estranho.

As “colmeias” da Amazon otimizam a logística nos centros urbanos

O drone na cidade grande

A visão da Amazon de uma estrutura parecida com uma colmeia é uma resposta pouco convencional aos desafios dos centros de fornecimento urbanos. As cidades estão abraçando as questões dos drones e projetando seu plano de voo para o sucesso. Há um enorme potencial para integrar os drones às tecnologias inteligentes existentes e reduzir o congestionamento urbano.

Um novo projeto no Reino Unido, “The Flying High Challenge ” trabalhará com cinco cidades para abordar o uso dos drones de forma criativa e eficiente no cenário urbano. Juntos, eles tratarão de questões de segurança e assuntos regulamentares para abrir oportunidades de mercado, mas também para refletir sobre como os drones podem melhorar os serviços como segurança nas estradas e atendimentos de emergência.

Em Reykjavík, um serviço de entrega de comida totalmente em operação pelo AHA, uma plataforma online de restaurantes, já decolou. Por enquanto, ele é limitado a uma única rota sobre a baía. Ele trabalha em conjunto com o entregador na moto, mas há planos futuros para entregas em quintais. Os canais e estradas sinuosas fazem da cidade o local perfeito para o uso dos drones.

Zurique iniciou os testes de um sistema baseado em drone e caminhão. Será a primeira vez que uma cidade usa uma operação de drone fora do campo de visibilidade. O sistema promete uma entrega em duas horas do centro de distribuição até o cliente. A solução vê o caminhão como um hub de distribuição sobre rodas e há planos de usá-la para fornecer tudo, desde café até suprimentos médicos.

A entrega por drone urbana pode contar com pontos de aterrissagem nos terraços

Com os drones, a ajuda está a caminho.

Enquanto os comerciantes e a indústria de drones estão finalizando os detalhes essenciais para oferecer um serviço de entrega comercial amplo, também há um número crescente de histórias de outras iniciativas explorando de quais formas as entregas por drones podem nos ajudar.

Em 17 de julho de 2015, na zona rural da Virgínia Ocidental, foi feita a primeira entrega médica dos EUA via drone. Um drone operado remotamente fez três voos para transportar remédios de um pequeno aeroporto para um parque próximo. Duas organizações que oferecem cuidados a áreas deficientes incentivaram o teste com a start-up de drones Flirtey.

No Lesoto, uma rede de entrega por drones totalmente em operação está fazendo uma viagem humanitária. Este país sem litoral, com infraestruturas rodoviárias precárias, usa a rede para entregar amostras de sangue ao hospital para testes de HIV/AIDS na capital. Os drones voam de forma autônoma e se recarregam automaticamente.

Drones chegando em breve

As soluções atualmente sendo desenvolvidas, seja por gigantes da indústria, governos ou start-ups, continuam a nos inspirar a abrir nossas mentes para o potencial desses objetos voadores “identificados”. Com promessas de grandes economias, segurança, entregas rápidas e clientes felizes, não se trata mais de “se”, mas sim de “quando”.

A maioria dos especialistas não vê as entregas por drones sendo feitas no setor comercial antes de 2021, já que ainda há algumas barreiras regulamentares e questões de logística a serem resolvidas. No momento, provavelmente veremos os drones sendo usados em áreas de baixa densidade e em cidades, mas em uma escala menor. Independentemente de sua aplicação, os drones prometem ser os novos e permanentes integrantes dos céus.