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Como elevadores mantêm passageiros satisfeitos — a visão do especialista

Sistemas de elevadores seriam mais eficientes se tratassem pessoas como carga, mas pessoas possuem necessidades exclusivas e, obviamente, sentimentos. Elevadores modernos usam tecnologias sofisticadas que não somente reduzem o tempo de percurso mas também levam em conta as expectativas dos usuários.

Como exatamente elevadores atingem o equilíbrio entre a eficiência e a satisfação dos usuários? Stefan Gerstenmeyer, Engenheiro Sênior de Controle de Elevadores na thyssenkrupp Elevator, explica como o estudo de como pessoas percebem elevadores e interagem com eles melhora a experiência geral dos usuários. O engenheiro é um dos maiores especialistas da empresa em sistemas de controle de elevadores e um respeitado parceiro de pesquisas de outras instituições, tais como a Universidade de Northampton, no Reino Unido.

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Criado em 06/02/2015

Mantendo usuários satisfeitos e em movimento

Em um mundo ideal, ninguém precisaria esperar por elevadores, pois seriam rápidos e nunca estariam lotados. No mundo real, porém, sempre há muitas pessoas esperando para usá-los, e todos possuem destinos, preferências e expectativas diferentes. 

Para chamar a maioria dos elevadores basta pressionar os botões “sobe” ou “desce”. Gerstenmeyer explica como elevadores modernos permitem que usuários insiram seu destino em uma tela touchscreen. Esta informação é incluída no assim chamado “sistema de controle de destino”, que usa algoritmos sofisticados para determinar quais passageiros deverão realizar o percurso juntos e selecionar o melhor elevador para a viagem.

Deslocamento até o destino: simples, intuitivo e eficiente

Tais algoritmos reduzem, em geral, o “tempo até o destino” — como diz Gerstenmeyer — mas não às custas do estresse dos usuários. Ele dá um bom exemplo: “Em um sistema de elevadores com vidro, os passageiros podem ficar irritados ao verem um elevador passar sem parar, o que, às vezes, é apenas a forma mais eficiente de fazer as coisas.” Nestes casos, é possível criar algoritmos para limitar tais ocorrências, sem reduzir muito a eficiência do sistema. 

“Variação” do usuário

Em suas pesquisas e observação pessoal de usuários de elevador, Gerstenmeyer notou alguns comportamentos interessantes. “Às vezes, se tiverem que esperar tempo demais, as pessoas ficam entediadas e podem retornar ao painel de controle e inserir mais alguns destinos, por pura diversão.” Também há pessoas que entram no primeiro elevador aberto quando vão a um destino popular, como o lobby ou o refeitório.

Ainda que possam ser divertidas, tais ações confundem o sistema. Ainda assim, os algoritmos haverão de se tornar mais sofisticados ao longo do tempo, e deverão “aprender” a lidar com desvios de comportamento. Eles poderão até mesmo prever quando trabalhadores terão receio de compartilhar um elevador com seu CEO. 

“Há passageiros que são bem criativos, por isso é importante não deixá-los entediados.”

Stefan Gerstenmeyer

Engenheiro Sênior de Controle de Elevadores, thyssenkrupp Elevator

Elevadores personalizados na atualidade

Pode parecer futurista, mas já existem elevadores que preveem as necessidades dos usuários. Gerstenmeyer dá um exemplo: “Desenvolvemos um sistema para o metrô de Barcelona que detecta a aproximação de um trem, para que os elevadores estejam prontos aguardando pelos passageiros quando eles saem dos vagões.”

Em Barcelona, os elevadores se antecipam

Além da tecnologia de ponta da atualidade

Elevadores já podem levar em conta necessidades individuais, ou seja, com o passar de um cartão ou através de um aplicativo de smartphone. Nesses sistemas, o elevador recebe não somente o destino do passageiro como também preferências pessoais, tais como: “Preciso de mais tempo para entrar e sair”, ou “Preciso de espaço para minha cadeira de rodas”. No futuro, estas informações poderão ser reconhecidas automaticamente, sem necessidade de uso de um cartão. Outros recursos possíveis poderão incluir iluminação e música ambiente que se adapte ao gosto pessoal do usuário.

Em termos de satisfação do usuário, Gerstenmeyer vê um grande potencial no conceito MULTI de elevadores, com reduzidíssimos tempos de espera de 15 a 30 segundos. “Pessoas simplesmente não gostam de esperar.” O potencial de deslocamento horizontal deste conceito poderá, um dia, permitir que elevadores se desloquem “além dos limites de seus edifícios”. 

O lado bem-humorado dos elevadores

 

Só por diversão: você já se perguntou porque sempre olhamos para a frente, nos elevadores? Confira esse vídeo e veja o que acontece quando pessoas olham no sentido oposto.

 

Neste vídeo, passageiros desconfiam — e com razão — dos assim chamados elevadores inteligentes.