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Brasil abraça a era digital com uma ambiciosa estratégia da Internet das Coisas

O Brasil promete ser um novo cenário instigante para projetos relacionados à IoT e Inteligência Artificial conforme trabalha para desenvolver suas redes digitais e de internet. O governo brasileiro lançou recentemente um plano com foco na expansão da Internet das Coisas no país.

Dentro do leque da estratégia do Brasil “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”, novas parcerias, programas de educação superior e inovadores surgirão para aproveitar ao máximo as novas oportunidades no mercado digital em expansão do Brasil. O Urban Hub confere o status.

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Usando menos recursos para uma mudança maior - O que faz o mundo evoluir? Tecnologia inovadora. E nas áreas de mobilidade, construção, energia e fabricação, são principalmente as inovações ecológicas que estão mudando a forma das pessoas interagirem com o meio ambiente e formá-lo.
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Criado em 06/04/2018

Brasil – pronto para expandir a conexão

À primeira vista, a América Latina não parece um centro fervilhante de atividades de IoT. As tendências mostram que apenas 7% das empresas latino-americanas usam regularmente a IoT e muitos setores ainda estão testando-a com timidez. O Brasil, entretanto, destaca-se desse grupo. Nos últimos anos, 60% das empresas brasileiras investiram em pesquisas e desenvolvimentos relacionados à IoT.

O mercado do Brasil está, certamente, pronto para a era digital. De acordo com estatísticas recentes, 58% da população do Brasil está online, e mais de 100 milhões de pessoas conectam-se por meio de seus smartphones. A avalanche da IoT – alimentada pela iniciativa do governo que encoraja novas parcerias, jovens inovadores e institutos de ensino superior – está agora avançando por todo o país.

O objetivo? Dar à economia do Brasil uma dose de adrenalina. O governo estima que projetos relacionados à IoT irão gerar 132 bilhões de dólares para a economia até 2025. Embora o foco principal seja impulsionar a economia, a estratégia também trará mudanças positivas para garantir a segurança de dados e a criação de um cenário regulamentar que seja mais aberto para facilitar novas inovações.

Um plano de ação

Em 2017, o governo brasileiro anunciou uma estratégia para acelerar a implementação da Internet das Coisas. O objetivo é permitir a modernização de serviços privados e públicos por meio de inovações de IoT, incentivando o empreendedorismo e novos negócios.

As tecnologias de IoT oferecem grande potencial para impulsionar o crescimento da economia brasileira. A estratégia foca quatro pilares centrais: Cidades inteligentes, Saúde, Agronegócio e Indústria. Novos desenvolvimentos já estarão estabelecidos entre 2018 e 2022. Algumas das melhorias que a IoT pode incentivar incluem:

  • Saúde: aumento da eficiência e redução de custos em hospitais; prevenção de epidemias.
  • Agronegócio: uso eficiente de recursos naturais, contribuições e maquinário
  • Indústria: melhoria de processos, promoção de modelos de negócio que incorporam a IoT e desenvolvimento de novos produtos.

E as cidades inteligentes? O Brasil não é alheio ao conceito. De grandes metrópoles como São Paulo a pequenos centros históricos como Olinda, muitas cidades já implementaram suas próprias estratégias e metas de cidades inteligentes. Os projetos de IoT de cidades inteligentes derivados da estratégia governamental vão priorizar a mobilidade, a segurança pública e os serviços públicos.

 

A estratégia do Brasil para IoT impacta todos os setores

Empresas de tecnologia embarcam no plano

As maiores empresas de tecnologia estavam de olho no Brasil há algum tempo, especialmente desde que o país proporcionou, com sucesso, o acesso à banda larga de 1Mbps para todas as regiões em 2010. Nos últimos dois anos, várias indústrias de tecnologia abriram filiais locais para aproveitar melhor o potencial dos investimentos estratégicos do Brasil em IoT.

O Facebook abriu recentemente o seu primeiro centro de inovação para fomentar empreendedores e ajudar a treinar jovens brasileiros para lançar start-ups. A Oracle também abriu um laboratório de inovação em 2017 com foco em projetos de Internet das Coisas e Inteligência Artificial.

Provavelmente o maior investidor é a Qualcomm, que assinou um contrato com o governo de São Paulo para abrir uma fábrica com o objetivo de fabricar processadores voltados para aplicativos IoT. A empresa também abriu um centro de P&D para promover parcerias entre o setor público e privado a fim de encaminhar o desenvolvimento de um ecossistema de IoT.

A Microsoft também anunciou recentemente investimentos no Brasil, principalmente em áreas que implementam aplicações reais de inteligência artificial para permitir o desenvolvimento de soluções de mobilidade no Brasil.

O Brasil também tem sua cota de empresas de tecnologia já produzindo soluções de IoT. A Exati, baseada em Curitiba, está desenvolvendo uma plataforma para um sistema de gestão de iluminação de ruas. Também em Curitiba, a Hi Technologies está testando equipamentos de diagnósticos que utilizam a nuvem para acelerar o processamento e os resultados do teste da Zika.

 

Mais de 100 unidades conectadas de MAX já estão em funcionamento no Brasil desde o começo deste ano.

Unindo esforços para inovações no Brasil

As empresas de tecnologia, entretanto, não têm dominação exclusiva do mercado de inovações. O Brasil também é moradia de um número crescente de comunidades e institutos de ensino superior na nova era digital. Na verdade, um aspecto da estratégia de IoT do Brasil é encorajar todos os stakeholders a unir esforços.

O Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) está localizado no chamado Vale da Eletrônica no sul de Minas Gerais. Ele lançou um programa de graduação focado exclusivamente em IoT, o que se encaixa facilmente em outro programa de graduação para Cidades inteligentes que ele oferece. O INATEL também começou um programa de intercâmbio com a Coreia do Sul para desenvolver inovações para IoT.

Embarcados, uma comunidade web para sistemas incorporados, procura formas de desafiar o ecossistema com, por exemplo, inovações de IoT. Um concurso recente reuniu soluções criativas baseadas em IoT, indo desde uma bengala para deficientes visuais que utiliza tecnologia incorporada até comunicação sem fio para medidores inteligentes.

Definitivamente não há escassez de ideias no Brasil. Isso também foi evidenciado quando o primeiro Congresso Brasileiro e Latino-americano de IoT foi realizado em São Paulo em 2016. A conferência do ano passado recebeu mais de vinte inovadores, líderes em tecnologia, do mundo todo, solidificando a reputação do Brasil como um centro crescente para desenvolvimentos de IoT.

Uma estratégia que já dá frutos

Será que isso vai ser só falação e nenhuma ação? O recebimento de várias iniciativas prova justamente o contrário. Um projeto piloto que está se destacando é o “Hospital 4.0”, que procura reduzir o tempo de espera para serviços hospitalares. No agronegócio, o “Fazenda Tropical 4.0” está aumentando a produtividade das plantações ao permitir o monitoramento de recursos biológicos.

Em todo o país, o Brasil está expandindo sua medição inteligente de serviços para melhorar os serviços públicos para os consumidores. De modo geral, os serviços para clientes realizados de forma digital contam com uma infraestrutura de IoT robusta, e o Brasil irá utilizar cada vez mais inovações, como o MAX, um elevador com solução de manutenção preditiva criado pela thyssenkrupp Elevator junto com a Microsoft. Mais de 100 unidades conectadas de MAX já estão em funcionamento no Brasil desde o começo deste ano.

A maioria da população do Brasil é urbana, e as soluções de cidades inteligentes vão ter um papel importante na redução de problemas, variando desde mobilidade até crimes. Muitos grupos de pesquisa e start-ups já estão trabalhando em projetos de IoT. Alguns exemplos inspiradores incluem:

  • Os usos de big data na cidade de Fortaleza para resolver atrasos de ônibus e engarrafamentos no trânsito. Foi firmada uma parceria de trabalho com a Universidade do Arizona, EUA, para desenvolver soluções.
  • Curitiba está desenvolvendo sua infraestrutura de IoT para oferecer, entre outras coisas, uma plataforma acessível e robusta de governo eletrônico (e-gov).
  • O Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR) está usando big data para melhorar a resistência às mudanças climáticas, desastres naturais, mobilidade e desafios de segurança pública.

O futuro está conectado

Muitos estão acolhendo a estratégia do Brasil para encorajar o desenvolvimento de todo o ecossistema e ambiente regulamentar de IoT. Embora talvez não seja capaz de competir com os gigantes de IoT já estabelecidos, como o Reino Unido ou a Coreia do Sul, o Brasil ainda pode impulsionar inovações de IoT para construir produtos nacionais e fortalecer o comércio de exportação, além de reforçar infraestruturas públicas.

Nos últimos anos, o programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP observou um aumento significativo no número de projetos envolvendo IoT. Apenas um indicador de que o mercado está fervendo e de que o Brasil é moradia de muitos inovadores prontos para deixar sua marca com novos produtos e serviços.