Sustainability

Arranha-céus feitos em madeira e plástico? Um olhar sobre novos materiais de construção

Seja para o núcleo, para a fachada ou para qualquer estrutura intermediária, há sempre muita discussão envolvida na busca pelos materiais de construção ideais.

Há mais de um século dependemos do aço e do concreto para suportar os esforços de carga dos arranha-céus. Mas e a madeira? Será que ela poderia desempenhar o mesmo papel? Não seria ela muito fraca ou inflamável? E qual é o próximo material-revelação para a construção das fachadas? 

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Garantindo um futuro ecológico - O desenvolvimento ambiental sustentável usa conceitos de poucos resíduos, baixo consumo e a migração para recursos ecológicos e ambientalmente sustentáveis, como energia solar e eólica ou materiais que podem constantemente passar por upcycling.
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Criado em 14/07/2016

A PLP propôs o primeiro plyscraper de Londres, a “Oakwood Tower” (Torre de Carvalho), de 80 andares

Substituir aço e concreto por madeira?

Nos dias atuais, não importa onde você esteja, quase todo arranha-céu é feito, principalmente, de concreto, aço ou ambos. Não se pode questionar a efetividade desses materiais. Suas propriedades de sustentabilidade melhoram continuamente. Há quem se surpreenda com o fato de que uma das alternativas mais viáveis seja a madeira. Isso contraria as especulações leigas de que prédios construídos desse material, os chamados “plyscrapers”, seriam vulneráveis a incêndios e jamais possuiriam as propriedades materiais do concreto e do aço.

A PLP propôs o primeiro plyscraper de Londres, a “Oakwood Tower” (Torre de Carvalho), de 80 andares
© Cambridge University

CLT (Cross-Laminated Timber - madeira de lâminas cruzadas)

Quem acha que um arranha-céus jamais poderia ser construído em madeira precisa conhecer a madeira de lâminas cruzadas (CLT). Desenvolvidas na Áustria e na Alemanha nos anos 90, essas placas de madeira maciça estão se popularizando na indústria da construção.  A ideia por trás da madeira CLT é similar à da madeira compensada. Porém, utilizam-se chapas grossas de madeira ao invés de camadas finas. As placas maciças resultantes permitem aos arquitetos criar edifícios altos em madeira tão fortes e resistentes ao fogo quanto aqueles feitos em concreto. Devido à grande força, à boa resistência ao fogo e às propriedades de captura de carbono, a CLT oferece diversos benefícios. Prédios construídos em CLT, por exemplo, requerem menos trabalhos de fundação, pois as suas estruturas são muito mais leves. O próprio processo de construção também é muito mais rápido e silencioso do que aquele da construção tradicional – os vizinhos que o digam!

Respostas às perguntas comuns sobre prédios de madeira:

Respostas às perguntas comuns sobre prédios de madeira:
 
Fonte: Michael Green, da Michael Green Architecture, em um TED Talk

Outras inovações estruturais

A madeira, especialmente a CLT, parece ser a próxima revelação na indústria da construção. Mas ela não é o único material promissor. Na sequência, o URBAN HUB destaca alguns outros materiais de construção inovadores.

Bambu

O bambu é incrivelmente forte e, portanto, já é usado para armações na Ásia. Suas vantagens são a leveza, a alta resistência à tração e a regeneração rápida Seria ele a próxima revelação na construção de edifícios?

Desenho de arranha-céu em bambu da CRG Architects. Credits: http://www.crgarchitects.com

Impressão estrutural em 3D (additive manufacturing)

Apesar de a impressão em 3D (cuja versão industrial é chamada de additive manufacturing) ser considerada uma tecnologia e não um material, ela ainda é relevante para esse assunto, pois impressoras têm sido desenvolvidas para produzir placas, módulos e até mesmo estruturas completas em concreto ou polímero. Em 2016, a primeira casa do mundo a ser impressa em 3D em tamanho real foi construída em 45 dias em Pequim, na China.

Casa impressa em 3D pela HuaShang Tengda (Photo Credit: www.inhabitat.com)

Bioplásticos

Bioplásticos são polímeros duráveis feitos de biomassa renovável no lugar de petróleo. Esse material barato, que pode ser usado em combinação com a impressão em 3D, é totalmente biodegradável e reciclável. 

ArboSkin Pavilion da ITKE em Stuttgart, Alemanha (Photo Credit: www.curbed.com)

Self-healing concrete

O concreto autorregenerável possui bactérias integradas que produzem rocha calcária quando a água penetra em uma rachadura. A rocha calcária gerada pelas bactérias veda a rachadura e elimina a necessidade de uma manutenção onerosa. Isso prolonga a vida útil do concreto, melhorando portanto a sua sustentabilidade.

Poderia o concreto, um dia, ser autorregenerável?

World Green Building Trends 2016 SmartMarket Report FINAL.pdf

Contêineres marítimos!?

A CRG Architects apresentou um design que sugere uma nova abordagem para reaproveitar contêineres marítimos, utilizando os mesmos para criar um arranha-céus.

“Container-scraper” da CRG Architects (Credits: http://www.crgarchitects.com)

Materiais não-estruturais

Há também diversos materiais essenciais utilizados para fachadas, isolamento e outros componentes responsáveis pelo design básico do núcleo e do revestimento de um edifício. Aqui também há lugar para inovações.

Revestimentos solares térmicos

Painéis solares térmicos podem ser usados nas paredes externas de prédios para coletar o calor solar e aquecê-los, especialmente em zonas de clima frio.

Reforma do Place Nolin em Ontário, Canadá, pela SolarWall (Photo Credit: www.solarwall.com)

Envidraçamento fotovoltaico

Uma ideia inédita: se arranha-céus ostentam tanto vidro, por que não fazê-los coletar energia solar? Prédios com a fachada inteiramente revestida em vidro poderiam usar 100% de seu exterior para gerar energia solar através de envidraçamento fotovoltaico.

“Dubai Frame”: um edifício inovador com vidro fotovoltaico  
“Dubai Frame”: um edifício inovador com vidro fotovoltaico  

Concreto permeável

O concreto permeável pode absorver uma grande quantidade de água pluviais. A tecnologia pode ser usada em telhados de prédios altos, para coletar e reutilizar a água da chuva. Ele também pode ser a solução para estacionamentos e áreas de prédios, melhorando a gestão de águas torrenciais.

E a lista continua…

Essa lista é apenas uma seleção de algumas das mais interessantes soluções recentes de material que estão chegando ao mercado. O URBAN HUB continuará relatando sobre inovações contínuas nos materiais que compõe os prédios em que vivemos, trabalhamos e nos divertimos.