Sustainability

Cidades caminháveis – pedonalização e menos foco em carros

Cidades avançadas dentro do movimento de sustentabilidade estão constantemente tentando fornecer um ambiente mais verde e melhor para viver para seus residentes. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico adiciona pressão por mais transporte, o que leva a ruas engarrafadas, stress, desperdício de tempo e poluição do ar.

Como as cidades podem equilibrar essas tendências opostas? Além das tentativas gerais para reduzir o tráfego, algumas estão efetivamente fazendo tentativas com dias ou zonas sem carros. A URBAN HUB acompanha projetos de todo o mundo que têm o potencial de ajudar a impulsionar ambientes urbanos bem menos dominados por carros.

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Garantindo um futuro ecológico - O desenvolvimento ambiental sustentável usa conceitos de poucos resíduos, baixo consumo e a migração para recursos ecológicos e ambientalmente sustentáveis, como energia solar e eólica ou materiais que podem constantemente passar por upcycling.
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Criado em 09/12/2016

A longa estrada para reduzir os carros

Por mais de meio século, planejadores de cidades se concentraram em criar cidades amigáveis para os carros – em detrimento das pessoas. No entanto, antes dos carros, as ruas das cidades serviam como espaços de reunião social, onde vizinhos se juntavam, vendedores de rua ofereciam suas mercadorias e as crianças brincavam.

O maior impulso do movimento de pedonalização é que precisamos repensar o planejamento urbano e começar a criar cidades para pessoas, não carros. Os defensores da pedonalização dizem que menos carros significariam menos stress e um uso mais eficaz do tempo das pessoas, sem falar no ar mais limpo e nas cidades mais atrativas. No final, isso melhoraria os negócios.

No entanto, é importante observar que as zonas de pedestres não funcionam tão bem quando as leis de zoneamento exigem que os distritos sejam exclusivamente residenciais ou comerciais. Esse tipo de zoneamento compartimentalizado torna a vida sem carros extremamente inconveniente. Zonas livres de carros funcionam melhor em áreas de uso misto, onde há acesso a pé para a maioria dos estabelecimentos.

The road to less traffic

Primeiro passo: reduzir carros, obter aprovação do público

A maioria das cidades entende que faz sentido dar um passo de cada vez. A abordagem adotada por Tallinn, capital da Estônia, foi simplesmente reduzir a atratividade dos carros oferecendo um transporte público completamente gratuito. A cidade vizinha Helsinque (Finlândia) está elaborando um sistema de mobilidade sob demanda de ponta a ponta criado para reduzir os benefícios de ser proprietário de um carro.

Gante (Bélgica) também está se movendo em direção à ausência de carros e priorizando o suporte público. É por isso que a cidade introduziu o projeto Living Street. Residentes podem se inscrever para ter uma seção das suas ruas fechadas para o tráfego por até vários meses. Eles descobrem soluções individuais para vagas de estacionamento substitutas e meios alternativos de transporte, como bicicletas elétricas e “bicicletas de carga“.

Barcelona (Espanha) está testando um plano muito interessante de redução de tráfego baseado principalmente nos “superilles”, ou “superquarteirões”, voltados para pedestres. Superquarteirões podem ser criados, por exemplo, selecionando uma seção quadrada de nove quarteirões de uma cidade (como um lado de um cubo de Rubik) e impedindo o tráfego dentro dessa região. Isso cria uma área muito mais amigável para pedestres dentro do superquarteirão.

 
Superquarteirões de Barcelona reduzem poluição e congestionamentos
Não apenas para pedestres: ciclistas também precisam de espaço

Segundo passo: testes com dias sem carro

Às vezes não se trata apenas de devolver uma cidade para os pedestres. Reduzir os carros pode ser necessário para a saúde pública. Quando Paris atingiu níveis perigosos de poluição do ar, o prefeito declarou um dia sem carro como medida emergencial, o que significou uma melhoria imediata. Isso resultou na iniciativa Paris Respire (Paris Respira), que cria regularmente zonas sem carro em toda Paris aos domingos e feriados. Isso não vai consertar o problema, mas já é um começo.

Fora da Europa, Bogotá (Colômbia) fecha 122 quilômetros de vias públicas para o tráfego uma vez por semana. A chamada “Ciclovia” existe desde a década de 1970. E Suwon (Coreia do Sul) está pavimentando o caminho para uma maior pedonalização na Ásia. A cidade conduziu um experimento de sucesso no qual os residentes ficaram sem carro por um mês inteiro.

Terceiro passo: estabelecer zonas sem carros

As cidades podem criar zonas sem carro permanentes? Com certeza sim. Inúmeras cidades ao redor do mundo já têm zonas de pedestres, mas geralmente apenas no centro. A pedonalização, no entanto, exige muito mais zonas assim, até o ponto em que as cidades sejam de novo claramente dominadas por atividade humana, e não por tráfego de veículos.

Algumas cidades já testemunharam grande sucesso: Gante agora tem uma zona de pedestres de 300 mil metros quadrados. Outras cidades têm ambições ainda maiores. Oslo (Noruega) e Madrid (Espanha) planejam banir os carros completamente do centro da cidade em 2019 e 2020, respectivamente.

Sem espaço para carros na Temple Street em Hong Kong

Nada de novo

Claro que o mundo todo era livre de carros até não muito tempo atrás, e ainda há refúgios modernos que nunca realmente aderiram totalmente à moda dos carros. Lugares como Veneza (Itália), Mackinac Island (MI, EUA), Fes el-Bali (Marrocos) e Zermatt (Suíça) nos lembram que uma sociedade livre de carros é possível.

Obviamente, banir carros não é apropriado em muitas situações. Alternativas inesperadas como os módulos de transporte sem motorista de Cingapura podem ser um bom meio de reduzir nossa necessidade de carros, assim como outras soluções de transporte, como o Segway PT, carros sem motorista e compartilhamento de carros.

Juntas, essas soluções formam o transporte multimodal que realmente precisamos para atender as necessidades de todos. Não precisamos nos livrar dos carros: precisamos deixar as outras opções mais atrativas. As esteiras rolantes ultrarrápidas ACCEL são uma opção para expandir o alcance de metrôs e abranger aquelas últimas centenas de metros que frequentemente fazem com que as pessoas optem por usar carro.

Qualquer que seja o futuro dos veículos motorizados na sua cidade, há muitos outros modelos disponíveis para inspirar nossos sonhos urbanos com ar mais puro e comunidades mais saudáveis.

 
O urbanista Jeff Speck dá uma palestra no TED Talks sobre “cidades caminháveis”.