Smart Mobility

Especialista da Deutsche Bahn Meike Niedbal fala sobre mobilidade e qualidade de vida

A Dra. Meike Niedbal é especialista e estrategista na área de futuro de transportes. Ela trabalha para a Deutsche Bahn, principal companhia ferroviária da Alemanha e segunda maior empresa de transporte do mundo. Como a Conferência sobre Qualidade de Vida da Monocle 2017 será realizada em Berlim, Alemanha, não é surpresa que ela tenha sido chamada para participar do painel “Mobilidade integrada – futuro do transporte”.

Em entrevista exclusiva com o URBAN HUB, Niedbal discute como a mobilidade urbana afeta a qualidade de vida para todos os grupos demográficos, incluindo crianças e idosos. Ela também analisa algumas das maiores tendências de mobilidade e explica alguns dos desafios que enfrentamos no caminho para o futuro.

Smart Mobility
Mantém as pessoas se movendo rumo a soluções melhores - Pessoas que estão cansadas de cidades congestionadas estão contribuindo com inovações por meio de novas tecnologias móveis e aplicativos intuitivos, que melhoram a integração do transporte público, a infraestrutura e o compartilhamento de carros.
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Criado em 30/06/2017

Vida em movimento

Meike Niedbal descreve a si própria como alguém que não só se entusiasma com novos projetos como também tem a coragem e a determinação para transformar novas ideias em realidade. Ela estudou administração de negócios na Universidade de Humboldt, em Berlim, e encontrou sua vocação principal no setor de logística e mobilidade durante um estágio.

Meike Niedbal, fã do transporte público desde o início, é empenhada em garantir o acesso à mobilidade para todos os grupos demográficos. Ela sabe que o transporte público nem sempre é acessível para certas pessoas e crê que ele deveria ser ainda mais focado naqueles que não são jovens, solteiros e ágeis. Ela explica: “A mobilidade pública deveria preocupar-se também com as pessoas de idade mais avançada, além de facilitar para famílias com crianças ou idosos, de forma que não precisem depender do carro”.

Niedbal fala sobre esse assunto e outros na Conferência sobre Qualidade de Vida da Monocle 2017 em Berlim. (Veja o fim do artigo para mais informações.)

“A diversidade das soluções de mobilidade continuará aumentando. A situação em 2009, quando comecei na Deutsche Bahn, já não é comparável com a atual. E esse movimento rápido se tornará cada vez mais veloz.”

Dr. Meike Niedbal, Head of Business Development na DB Station & Service AG e Project Lead Smart Cities

Tendências observadas pela Dra. Meike Niedbal

Além de sua função atual no desenvolvimento de negócios, Niedbal também tem ampla experiência na área de “previsão corporativa”, ou seja, no estudo de tendências de longo prazo da indústria e desenvolvimentos tecnológicos internacionais. O URBAN HUB perguntou quais tendências ela está observando.

Transporte público individualizado por meio da digitalização

Niedbal explica como uma conectividade melhor pode aprimorar a mobilidade: “No passado, era muito tedioso mudar de um meio de transporte a outro. Você não sabia os horários de partida; pois não era sincronizado; você não sabia quanto o próximo bilhete custaria ou onde comprá-lo. Nessas situações, eu simplesmente desistia e pegava o carro. Mas a digitalização torna essas conexões bem mais fáceis de gerenciar.”

No futuro próximo, nós veremos “assistentes digitais” que ajudarão os usuários a planejar viagens conforme suas necessidades individuais. Os usuários também conseguirão dar feedback sobre sua satisfação em relação a partes individuais da viagem, de forma que o assistente digital possa planejar viagens futuras de acordo com preferências individuais e experiências anteriores.

Não sem carros, mas com menos carros próprios

Niedbal: “Não diria que estamos caminhando rumo a um mundo sem carros, mas acho que precisamos aprender que nem todos precisam ter seu próprio carro. A maioria dos carros passa a maior parte do tempo estacionado e inutilizado. Mas ainda há muitas situações em que um carro compartilhado é necessário, então eu não os eliminaria completamente. Outras formas de transporte mais sustentáveis precisam ser elaboradas, tornando-as tão atraentes que mais pessoas optarão por abandonar seu carro.”

Mobilidade simplificada – até mesmo para os idosos

Hoje, a maioria das pessoas com mais de 50 ou 60 anos têm um smartphone, e planejar viagens ficará mais fácil para eles também: “Não é preciso ter facilidade com tecnologia. Um assistente digital simplificará os processos de planejamento e pagamento para todos. Em vez de ter vários aplicativos diferentes, você precisará somente de um para ajudá-lo a ir de A para B. Esses assistentes digitais também precisam ser projetados pensando nas gerações mais antigas”.

Bicicletas e compartilhamento de bicicletas

Está havendo um boom de bicicletas, tanto como uma solução “de último quilômetro” quanto como forma de transporte independente de redes. Pedelecs, por exemplo, usam um pequeno motor elétrico para tornar mais fácil subir morros ou pedalar contra o vento. É uma boa notícia para muitos usuários idosos, que lhes permite ter mobilidade por mais tempo.

O compartilhamento de bicicletas – organizado ou particular – é outra tendência de mobilidade. Ele está crescendo na China, onde as estações de devolução muitas vezes são tão cheias que as bicicletas ocupam até as ruas. Na Europa, Copenhague é a grande história de sucesso – agora as ruas têm mais bicicletas do que carros.

Conectando o “último quilômetro”

Neste contexto, o “último quilômetro” refere-se à distância entre a porta da frente de uma pessoa e a conexão de transporte público mais próxima. Também é daí que vem o termo “transporte público individualizado”, porque ele pode envolver a conexão entre meios de transporte particulares, como seu carro ou bicicleta, até o ponto de transporte público mais conveniente.

Niedbal: “No momento, novas soluções interessantes estão sendo desenvolvidas para cobrir o último quilômetro. Veículos sob demanda, por exemplo, conectam pessoas à rede de transporte e operam sem cronograma ou pontos de parada fixos. Para as gerações mais velhas, que dependem mais de carros, é essencial tornar esse último quilômetro o mais confortável, simples e barato possível.”

Desafios futuros para a mobilidade trazer qualidade de vida

  • Criar confiança nos usuários

    Niedbal: “Para novas soluções de mobilidade, como carros autônomos, é importante incentivar a confiança dos usuários, para que as pessoas saibam que estão seguras. Principalmente usuários mais idosos precisarão saber que eles têm alguém para ajudá-los se uma solução digital não funcionar como esperado.”

  • Idosos dependentes de carros

    Niedbal: “Também será um desafio convencer a geração acima dos 60 de que carros representam uma solução menos atraente, principalmente nas cidades. Será preciso desenvolver argumentos e soluções alternativas muito boas para aumentar sua confiança em meios de transporte mais sustentáveis.”

  • Atualizar a infraestrutura

    Niedbal: “Principalmente em cidades que estão tendo uma urbanização rápida, o maior desafio dos próximos 20 a 30 anos será desenvolver um sistema de trânsito que incorpore o transporte público, que ainda nem existe em muitas cidades em crescimento. Será preciso encontrar soluções para reduzir os carros em ruas já congestionadas, como investimento em transporte público.”

  • Carros sem motorista

    Niedbal: “Com os carros autônomos, usar carros pode tornar-se tão confortável que todos irão querer ter um. É claro que isso colocaria ainda mais carros nas ruas e congestionaria ainda mais as vias urbanas. É um efeito inconveniente, já que os implementadores somente queriam aumentar o número de carros elétricos ecológicos, mas, em vez disso, acabam tendo mais congestionamento e um consumo de eletricidade excessivo.”

Conferência sobre Qualidade de Vida da Monocle 2017 em Berlim

Dentro das cidades, é fácil ver o quanto a infraestrutura permite acesso a trabalho, entretenimento e satisfação pessoal. Em seu painel de discussão “Mobilidade integrada – futuro do transporte”, Meike Niedbal conversará com o empresário de compartilhamento de scooters Magnus Schmidt (Scoo mobility) e o arquiteto dinamarquês Dan Stubbergaard (COBE) sobre o que as cidades precisam fazer para acertar na mobilidade e como fazê-la funcionar tanto para os mais jovens quanto para os mais velhos.

A Conferência sobre Qualidade de Vida da Monocle ocorrerá no Römischer Hof Berlin de 29 de junho a 1° de julho de 2017. Durante três dias, a capital alemã se tornará um think tank para empresários, arquitetos, gurus da urbanização, especialistas em mobilidade, donos de lojas, membros da mídia, promotores imobiliários e até mesmo chefs.

Berlim: adeus, muro; adeus, guerra – olá, qualidade de vida
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Qual você acha que é a nova grande tendência em mobilidade urbana? Qual solução melhoraria mais sua qualidade de vida? Conte-nos nos comentários!