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Mirando alto: construindo novos cenários para a África urbana

Desde o alvorecer do novo milênio, o continente africano registra crescimento econômico acima da média, além de altas taxas de urbanização. Estima-se que metade dos africanos viverá em cidades de grande ou médio porte até 2030.

Famosa por muitas coisas e notável de inúmeras formas, a África não é, contudo, muito conhecida por seus arranha-céus. Por exemplo, nenhuma cidade da África ostenta um dos 100 prédios mais altos do mundo. E não há mesmo muitos edifícios altos. Mas isso pode mudar muito em breve.

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Inteligentes por dentro e por fora - De muitas formas, o conceito de cidade inteligente não é nada mais que um bom planejamento urbano, que incorpora os avanços da tecnologia digital e novas formas de pensar aos conceitos de cidade antigos, de relacionamentos, comunidade, sustentabilidade ambiental, democracia participativa, boa governança e transparência.
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Criado em 31/01/2017

Os edifícios mais altos na África hoje

Antigamente o edifício mais alto do Hemisfério Sul, o Carlton Centre atualmente é apenas o mais alto da África. Com 223 metros (732 pés), ele possui no topo um terraço com vista panorâmica majestosa para os visitantes. Construído em 1973, essa emblemática construção de 50 andares em Johanesburgo (África do Sul) combina um espaço para escritórios com um grande shopping.

A África do Sul exibe vários dos edifícios mais altos do continente, inclusive o Ponte City Apartments de 173 metros em Johanesburgo. Mas o restante dos dez mais altos refletem a diversidade da África: o minarete de 210 metros – o maior do mundo – da mesquita Hassan II em Casablanca (Marrocos), o Bahia Center de 173 metros em Orã (Algéria), o edifício de escritórios NECOM House de 160 metros em Lagos (Nigéria) e o PSPF Commercial Twin Towers de 153 metros em Dar es Salaam (Tanzânia).

O mais alto minarete do mundo está localizado em Casablanca, na África
As Pinnacle Towers em Nairóbi fazem parte de uma tendência

Em Nairóbi avança para novas alturas

Também entre os dez edifícios mais altos está o UAP Old Mutual Tower de 163 metros em Nairóbi. Inaugurado em 2016, é atualmente o mais alto no Quênia – mas não por muito tempo. Com previsão de término em 2020, o complexo Pinnacle Towers vai ter o primeiro edifício superalto da África (ou seja, de 300 metros/984 pés ou mais), fazendo com que Nairóbi passe a ter dois dos três maiores edifícios do continente.

Isso é só a ponta do iceberg: Nairóbi vem rapidamente se tornando a principal cidade na construção de arranha-céus, respondendo por quase 25% de todos os edifícios altos erguidos atualmente na África. Por quê? A economia do país continua a mostrar crescimento econômico sólido – 6% em 2017 segundo o Banco Mundial – e, associados ao aumento dos preços dos terrenos em Nairóbi, tanto os recursos como os incentivos estão disponíveis para a continuidade das obras – para cima.

A força do continente – para cima

Mas Nairóbi não está sozinha. Por todo o continente, estão em andamento projetos ambiciosos. O Hope City, próximo a Acra (Gana), é um conglomerado de torres de 10 bilhões de dólares, de alta tecnologia e arquitetura espetacular, com o objetivo de fazer do país um importante destino para o setor de tecnologia de informação e comunicação (TIC). A torre mais alta deve atingir 270 metros (886 pés).

Enquanto isso, em Casablanca, o edifício Al Noor Tower, de exatos 540 metros (1.800 pés), foi projetado para representar os 54 países africanos, com conclusão prevista para 2018. E em Adis Abeba, o Banco Comercial da Etiópia iniciou a construção da nova sede de 198 metros. A África do Sul também está no jogo. Se construído, o Centurion Symbio-City vai erguer-se a uma altura mais do que o dobro do Carlton Centre – 447 metros (1467 pés) – e contar com um jardim na cobertura e turbinas eólicas embutidas.

As questões perduram, mas a África está definitivamente em ascensão

A lista de projetos de arranha-céus na África continua a crescer. Mas todos eles também levantam questões: teriam os investidores interpretado mal o mercado e seria disso mesmo que a África urbana precisa neste momento? É evidente que essas mesmas perguntas poderiam ser feitas em praticamente qualquer cidade, em qualquer lugar do mundo, e não apenas na África. Mas uma coisa é certa: a África não vai ficar por baixo. A África urbana – como qualquer área urbana em outras partes do mundo – está pronta e disposta a assumir o seu papel. As suas expectativas são altas: a África está em ascensão.