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Mumbai, Maharashtra, Índia

Mumbai é a capital do estado de Maharashtra, na Índia, e uma importante cidade portuária na costa oeste do país, situada no Mar Arábico. Com mais de 12 milhões de habitantes, Mumbai é a cidade mais populosa da Índia e a oitava do mundo (2011, Wikipédia).

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Inteligentes por dentro e por fora - De muitas formas, o conceito de cidade inteligente não é nada mais que um bom planejamento urbano, que incorpora os avanços da tecnologia digital e novas formas de pensar aos conceitos de cidade antigos, de relacionamentos, comunidade, sustentabilidade ambiental, democracia participativa, boa governança e transparência.
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Criado em 27/05/2015

A maior cidade da Índia?

Na área metropolitana da Grande Mumbai — que abrange o “distrito suburbano de Mumbai” e as cidades de Navi Mumbai, Thane, Bhiwandi, e Kalyan — vivem 21,5 milhões de pessoas. Dependendo da definição de megacidade, a Grande Mumbai fica na segunda colocação, atrás apenas da capital indiana Nova Déli, com uma população de 25 milhões em 2014 (Perspectivas da Urbanização Mundial, ONU).

A metrópole da densidade

Com aproximadamente 28.000 pessoas por quilômetro quadrado, Mumbai é uma das áreas mais densamente povoadas do planeta. A título de comparação, Tóquio conta com 13.500 pessoas por quilômetro quadrado, Nova York com cerca de 6.000, e Shanghai e Berlim, respectivamente, 3.600 e 3.800 habitantes por quilômetro quadrado. Uma situação extrema é a favela de Dharavi, que possui a incrível densidade de 334.728 pessoas por quilômetro quadrado.

O Centro de Bollywood

Mumbai é uma das cidades mais ricas da Índia, respondendo por 25% da produção industrial e 70% do comércio marítimo. Ela é a capital comercial, financeira e de entretenimento da Índia. O coração da indústria indiana de filmes, conhecida como “Bollywood”, fica nesta cidade, que também abriga a maioria das grandes redes de televisão e editoras nacionais. Tal concentração de instituições culturais e financeiras atrai migrantes de todo o país e cria um alto nível de diversidade.

Favelas e luxo lado a lado

Na realidade, 62% dos habitantes de Mumbai moram em favelas. Em números absolutos, há cerca de nove milhões de pessoas vivendo em locais como Dharavi, que é a maior favela no centro de Mumbai e possui quase um milhão de pessoas vivendo em uma área de apenas dois quilômetros quadrados.
Por outro lado, Mumbai é conhecida pelas edificações da era colonial, escritórios em estilo soviético e duas áreas que são patrimônio mundial da UNESCO. Há 31 edifícios com mais de cem metros de altura, sendo as torres gêmeas The Imperial, com 256 metros, as maiores. O futurista Residence Antilia, projetado pelo escritório de arquitetura Perkins + Will e concluído em 2010, foi considerado a residência mais cara do mundo.

As ferrovias mais movimentadas

Devido à superpopulação e aos altos custos de moradia locais, muitas pessoas moram longe do trabalho e precisam se deslocar diariamente.
88% dos trabalhadores usam o transporte público, incluindo ferrovias periféricas, ônibus, táxis públicos e os tradicionais riquixás. Lentamente, o conceito de um sistema metroviário, iniciado em 2004 com um plano central, se tornou realidade. A primeira linha iniciou as operações em junho de 2014.

 

 

E como é viver em Mumbai?

 

Como lidar com o rápido crescimento?

Considerando as questões de tamanho e desigualdade, como Mumbai pode lidar com o seu rápido crescimento e todos os problemas típicos de uma megacidade com alta densidade populacional? Há três iniciativas que podem ser observadas:
Primeiramente, o afluxo constante de residentes para a área é responsável pela grande elevação nos preços do mercado imobiliário e por um considerável aumento nos investimentos em projetos de construção e transporte. Podemos chamar os esforços recentes de uma “remodelação” da cidade: novos arranha-céus são construídos em bairros que já foram tradicionais, ampliando a necessidade de conceitos de tráfego inovadores com transporte público modernizado.

Outro aspecto importante é que esta expansão, impulsionada principalmente pela iniciativa privada, é acompanhada por iniciativas públicas que visam regulamentar o desenvolvimento. Uma tentativa recente foi o “Plano de desenvolvimento de Mumbai 2034”, anunciado em uma versão preliminar pela “Corporação Municipal da Grande Mumbai” no segundo trimestre de 2015. Infelizmente, o documento continha inúmeros erros relacionados ao mapeamento do uso do solo e da infraestrutura de tráfego. Ele será submetido a uma revisão, a ser concluída em agosto. Os intensos debates sobre o plano de desenvolvimento que se seguiram mostram a dificuldade em equilibrar a demanda por arranha-céus comerciais e apartamentos de luxo com a necessidade de moradias acessíveis, espaços abertos e de uma evolução mais sustentável da metrópole.

Por fim, vemos cidadãos trabalhando com associações de base comunitária, que tentam melhorar as condições de vida nas favelas através de medidas simples, como a construção de banheiros públicos, o apoio a programas educativos e a preservação de espaços públicos centrais. Organizações como o Urban Design Research Institute (Instituto de Pesquisa de Design Urbano – UDRI) buscam estabelecer potenciais caminhos para uma Mumbai nova e vibrante.

Cidades da Índia e o mundo

Em 2030, duas das cinco maiores megacidades estarão na Índia. Apesar de Tóquio ainda liderar o ranking, a verdadeira disputa regional e nacional será entre a Índia e a China. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional constatou que a taxa de crescimento do PIB indiano ultrapassará o da China em 2015, e assim continuará nos anos seguintes.

No futuro, será crucial para Mumbai e outras cidades indianas investir em infraestrutura e fomentar parcerias público-privadas, visando um crescimento mais equilibrado e sustentável dos maiores centros urbanos do planeta.

Da Boa Baía à Deusa Mãe

Historicamente, a cidade também é chamada de “Bombay” desde o século XVI. Este nome parece derivar da expressão portuguesa “bom baía”, ou “Bombaim”. Este foi o nome dado pelos conquistadores ao descobrir o porto natural, em 1508.

Quando o Rei Carlos II da Inglaterra se casou com a infanta portuguesa Catarina Henriqueta de Bragança, em 1662, Bombaim passou para o domínio britânico como parte do dote da noiva. Evitando governar as ilhas ele próprio, em 1668 Carlos II alugou o território à Companhia Britânica das Índias Orientais, por apenas dez libras de ouro ao ano. 

Sob hegemonia britânica desde o fim do século XVII até a independência da Índia, em 1947, o nome da cidade permaneceu Bombay (Bombaim em português). Em 1995, finalmente, o conselho municipal votou pela restauração do nome original em marata “Mumbai”, referência à deusa hindu Mumbadevi e à palavra “mãe” no idioma.