Fitness urbano: novas e inteligentes formas de usar o espaço público para melhorar a saúde

Tian Tai No. 2 Primary School
Cities
Urbanization

Longos expedientes e uma vida sedentária são grandes desafios para a saúde de muitos moradores de cidades. Para citar apenas alguns exemplos, há uma ligação evidente e preocupante entre estilos de vida modernos e o aumento dos índices de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardíacas e depressão, entre outros. 

Ao mesmo tempo, porém, estamos vivendo a era de ouro do fitness urbano, que vai de clubes esportivos a maratonas de ciclismo, com espaços públicos repletos de corredores e pessoas fazendo caminhadas ou aulas de Tai Chi Chuan. Urbanistas estão seguindo a tendência, colocando rampas de skateboard e aparelhos de ginástica em parques, e estão encontrando formas inteligentes de integrar instalações esportivas em espaços densamente ocupados.

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Bom uso do espaço urbano

As cidades já oferecem há muito tempo a seus habitantes várias formas de se movimentar, jogar jogos e praticar esportes. Playgrounds e piscinas públicas, pistas de patinação, quadras de esportes, ciclovias e parques são comuns e bem utilizados na maioria das cidades.

Algumas das mais recentes tendências são uma extensão natural da recreação tradicional. Um exemplo é a simples integração de espaços esportivos dentro – ou acima – de estruturas usadas para outros fins. Podemos citar a 2ª Escola Fundamental Tian Tai, na província chinesa de Zhejiang, que construiu seu espaço esportivo no telhado, incluindo uma pista de corrida de 200 metros, ou um shopping em Osaka, no Japão, que ostenta em seu telhado uma pista de corrida de 300 metros e um campo de futebol.

Já a famosa escola Sidwell Friends, de Washington D.C., construiu seu novo ginásio no subsolo, embaixo do campo de esportes existente. Além de resolver a limitação de espaço, o ginásio também tem um consumo de energia mais baixo em comparação com uma estrutura construída na superfície. 

Tian Tai No. 2 Primary School

Vendo o potencial com novos olhos

As tendências mais recentes na concepção de espaços de ginástica urbanos são ainda mais inovadoras, ao aproveitar espaços inutilizados. O Bentway, em Toronto, é a revitalização de uma área abandonada de 1,75 quilômetros que fica embaixo de um viaduto. Leia mais aqui. Uma proposta semelhante pode criar um parque esportivo voltado para jovens em Glasgow, embaixo de um trecho da autoestrada M74. 

 

GUS M74 Skatepark from NorthColour Films on Vimeo.

It’s only wasteland until someone sees its potential. The Glasgow Urban Sports proposal is set to radically transform the area beneath the M74 elevated expressway into an aesthetically pleasing venue for new urban sports and social mingling.

Espaços antes menosprezados com certeza já chamaram a atenção dos urbanistas – e também a de ativistas e empresários locais. No Brooklyn, na cidade de Nova York, um terreno baldio foi transformado facilmente em um parque de ciclismo infantil. E em Mumbai, comerciantes locais estão aproveitando a popularidade do futebol de cinco para criar campos informais com grama sintética em áreas não utilizadas ou espaços públicos. 

No caso de grandes projetos, a autorização – e o financiamento – por parte dos órgãos de planejamento urbano garante que os novos desenvolvimentos resistam ao tempo, oferecendo benefícios duradouros a visitantes e residentes. Mas claramente também há lugar para projetos pequenos visionários, que oferecem inspiração local e uma nova perspectiva sobre o uso do espaço urbano.

Novas estruturas para ginástica

Enquanto isso, novas estruturas inteligentes estão motivando ainda mais os fãs do fitness. A cidade portuária britânica de Folkestone em breve ostentará o primeiro parque de skate de vários andares do mundo. A construção também oferecerá espaço para bicicross (BMX), patinação e scooter freestyle, além de escalada e boxe (oportunamente). Uma cobertura de tela permitirá a ventilação natural.

A Dinamarca tem vários projetos interessantes em andamento. O Rabalder Park, em Roskilde, próximo a Copenhague, inclui um amplo fosso de drenagem que também foi especificamente concebido para a prática do skate (quando estiver seco). Mais a oeste, na parte continental da Jutlândia, em Haderslev, uma nova estrutura combina um ginásio em forma de iglu com um parque de skate ao ar livre. Além de ser funcional, o local contribui para um visual novo e único nessa cidade costeira tradicional.

Street Dome Haderslev Street Dome Haderslev
Do they have igloos in Denmark? They do now! - Street Dome Haderslev, photo by © Mikkel Frost, CEBRA

E por falar em água, muitas cidades têm buscado recuperar seus rios em favor da recreação. Em Nova York, o projeto +Pool propõe uma piscina de natação flutuante no rio East. Um dia, quem sabe, a própria água do rio poderia ser usada para nadar lá. Por enquanto, a piscina usará. Já é um começo.

É temporário

Obviamente, não podemos esquecer todas as estruturas oficialmente aprovadas que são construídas para temporários. Na ocasião do No Car Day (Dia Sem Carro) de 2016, Genebra criou um circuito de exercícios de 2 quilômetros em volta de uma infraestrutura urbana já existente. Amsterdã monta diversas instalações temporárias para sua Urban Sports Week (Semana de Esportes Urbanos) anual. O evento, criado “para oferecer aos esportes alternativos uma plataforma e uma oportunidade de se exibirem não só para sua comunidade principal, mas também para o grande público”, ocorre em diferentes pontos da cidade e inclui esportes como basquete 3×3, corrida livre, patinação inline, escalada boulder e muito mais. Ao final da semana, todas as estruturas voltam para o depósito – até o ano seguinte. 

Além disso, muitas cidades oferecem uma grande variedade de corridas populares, maratonas, corridas de bicicleta, caminhadas beneficentes, etc., especialmente quando há bom tempo. Não importa a atividade ou a ocasião: esses eventos, muitas vezes anuais, também são uma oportunidade para se manter em forma ou começar a se exercitar, além de promoverem a socialização, que é um impulsionador indispensável para outro componente da boa forma: a saúde mental.

Adeus ao tédio – a nova cara da calistenia. Adeus ao tédio – a nova cara da calistenia.
Adeus ao tédio – a nova cara da calistenia.

Estruturas desnecessárias

Há também uma nova geração de modalidades atléticas que usam especificamente os espaços públicos e as construções urbanas como ambiente – e equipamento – para a prática de exercícios. Em alguns aspectos, elas são similares às atividades disponíveis em academias ao ar livre; a diferença é que elas são móveis e podem ser executadas em qualquer local da cidade.

O parkour provavelmente é a modalidade mais antiga e conhecida desse novo tipo. Desenvolvido originalmente na França, como variação de um treinamento físico militar, o parkour transfere a ideia da corrida de obstáculos ao ambiente construído ou “encontrado”. Repleto de pulos, corridas, saltos, rolamentos e escaladas, ele é um bom exercício físico com espírito competitivo.

De muitas formas, ele também é a inspiração para todas as outras formas inovadoras de ginástica urbana. Cada uma delas tem sua própria ênfase. O street workout (treino de rua), por exemplo, usa objetos urbanos (bancos, meios-fios, escadarias, playgrounds) para treinos de alta intensidade de diferentes grupos musculares, combinando calistenia, bodyweight e ginástica. O urban fartlek combina treinos de resistência e de intervalos em espaços públicos para exercitar os sistemas aeróbico e anaeróbico. Já a urban gym usa técnicas de parkour para transformar áreas urbanas em centros esportivos sem academia.

Parkour runner doing a back flip

Mexa-se!

Com tantas instalações, esportes, parques, percursos e clubes – novos e antigos – as cidades oferecem uma oportunidade única e emocionante para entrar em forma. A mudança reside no dramático aumento da quantidade e do tipo de atividades, o que torna possível fazer atividades diferentes quase todos os dias. Portanto, mexa-se! A cidade não para, e nós também não devemos parar. E se não houver um lugar ou atividade certo para você em meio a toda essa diversidade, você pode lançar a sua própria modalidade. Isso mesmo: você pode criar seu próprio ‘movimento’. 

O que você faz para se manter em forma na cidade? 

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