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Como manter a “inteligência” das cidades – as lições aprendidas na Ásia

As cidades inteligentes são hoje campos de teste de tecnologias emergentes, independente de terem sido impulsionadas por projetos, desenvolvedores imobiliários ou grandes programas governamentais. Mas para acompanhar a rápida ascensão global das cidades inteligentes é necessário percorrer o mundo. O URBAN HUB foi para a Ásia examinar o crescimento e as lições aprendidas pelos líderes que são referência no urbanismo.

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Inteligentes por dentro e por fora - De muitas formas, o conceito de cidade inteligente não é nada mais que um bom planejamento urbano, que incorpora os avanços da tecnologia digital e novas formas de pensar aos conceitos de cidade antigos, de relacionamentos, comunidade, sustentabilidade ambiental, democracia participativa, boa governança e transparência.
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Criado em 04/02/2016

Inspiração na pressa urbana: Songdo tem tudo que é necessário

Songdo, Coreia do Sul: Este gigantesco projeto tem todos os ingredientes de uma cidade inteligente, com transporte público de última geração, matrizes energéticas eficientes e uma infraestrutura que usa tecnologias novas de forma impecável. E como se não bastasse, possui parques verdes e cursos d’água sinuosos para torná-la bela como um quadro. Qualquer um que ainda ache que uma cidade verdadeiramente sustentável não é algo possível pode parar de procurá-la.

Esse projeto de área verde criado do zero combina alta tecnologia com um mix de espaços comerciais e residenciais de forma única. Ele surgiu da busca política pelo crescimento sustentável com baixas emissões de carbono. Investimentos ecológicos em consumo progressivo de energia, recolhimento de lixo e soluções integradas abriram o caminho. Sensores monitoram tudo, da temperatura ao tráfego, para obter respostas em tempo real com a finalidade de poupar recursos e facilitar a vida urbana.

Mesmo assim, os planejadores urbanos ainda enfrentam um grande desafio: eles precisam atrair moradores e comerciantes. 60% de Songdo permanece desocupada. Leva tempo para que uma comunidade próspera de famílias, negócios e estudantes se desenvolva. Apesar disso, espera-se que novas universidades e incentivos fiscais sirvam para quebrar o gelo e tornem realidade o sonho da cidade inteligente.

Songdo Skyline
As dez principais áreas que uma cidade inteligente deve dominar

A China é perita em cidades inteligentes como ninguém

Com sua crescente população e a enorme mobilidade ascendente de jovens, a China conhece bem a necessidade de criar novas áreas urbanas.  Cidades como Meixi Lake e Shenyang são valiosos exemplos de projetos pioneiros e de cidades existentes que procuram se tornar inteligentes.

O distrito de Meixi Lake, um núcleo ecológico ultramoderno, localizado na capital da província de Hunan, praticamente acabou de nascer. Essa criação de desenvolvedores imobiliários almeja ser, tal como Songdo, um modelo inspirador para o resto da Ásia. Startups como essas serão essenciais no alívio da pressão existente em outras cidades que crescem rapidamente.

Mas há mais de um jeito de tornar uma cidade inteligente. Shenyang, na província de Liaoning, é um bom exemplo. O lugar, tradicionalmente um centro da indústria pesada, havia sacrificado o meio-ambiente em prol dos ganhos. Com o objetivo de redesenvolver sua base econômica, Shenyang deseja revitalizar a cidade com tecnologias inteligentes que tiram partido da Internet das coisas e dão apoio a soluções ambientalmente responsáveis.

San Hau Bridge, Shenyang
San Hau Bridge, Shenyang

Cidades inteligentes. Baluartes da mudança ou ilhas de privilégios?

A liderança do programa indiano “100 Smart Cities” tem por objetivo proporcionar um modo de vida sustentável aos cidadãos. Até 2050, prevê-se que 70% dos indianos residirão em cidades. Para serem bem-sucedidas, as cidades na Índia deverão se adaptar às necessidades individuais e aos recursos econômicos das comunidades. Como a Índia vem rapidamente descobrindo, o progresso é sustentável e a vida urbana exige abertura e flexibilidade.

Das margens do rio Sabarmati se ergue brilhante e prateada a Gujarat International Finance Tec-City (GIFT), na parte ocidental do estado de Gujarat. Com conclusão prevista para 2021, esta cidade promete todos os avanços da tecnologia inteligente, ostentando uma matriz energética de ponta, a perfeita gestão de resíduos e o monitoramento em tempo real com o objetivo de agilizar todos os aspectos da vida urbana.

Os problemas surgem, no entanto, quando o monitoramento se torna uma ferramenta de exclusividade. Tome-se, por exemplo, a crítica a Palava City, criada por um desenvolvedor da iniciativa privada. Com planos de emitir cartões de identificação inteligentes e monitorar os residentes por meio de um sistema de vigilância inteligente, esse condomínio fechado de Mumbai é virtualmente uma comunidade fechada. Quando a tecnologia é usada para reforçar a segregação social, ela deixa de ser inteligente.

Gujarat et le fleuve Sabarmati

Vida urbana inteligente, para as pessoas pelas pessoas

Singapura reconheceu a importância da criação conjunta com os cidadãos. O distrito de Jurong Lake é um projeto de cidade inteligente em pequena escala, que enfatiza a abordagem centralizada no habitante. O papel do governo é reunir agências, operadores do setor industrial e residentes para juntos criarem soluções abrangentes, que atendam as necessidades da população em constante mudança.

Tendo aprendido com o projeto coreano de Songdo – que, em retrospectiva, talvez tenha sido imposto demasiadamente de cima para baixo, perdendo assim o contato com as pessoas – o projeto do distrito de Jurong Lake trabalhou com diversos planejadores locais para testar soluções em escala reduzida antes de adotá-las amplamente. O resultado tem sido um esforço comunitário e a criação de uma cidade inteligente que beneficia todos os cidadãos, assegurando a sustentabilidade e o crescimento futuro.

Como o inteligente está ficando ainda mais esperto

A tecnologia simplifica a vida das pessoas e leva a soluções ecologicamente mais responsáveis, mas a criação de espaços urbanos só é sustentável quando se baseia nas pessoas. Ao adaptar seus perfis a cada região específica, os desenvolvedores urbanos encontrarão cidades inteligentes menos propensas a surgir como cidades isoladas. Isso irá ajudá-los a atrair pessoas dispostas a ser residentes ativos e participativos. Afinal, são as pessoas que tornam a sustentabilidade algo inteligente.