Buildings

150 anos buscando os céus: a evolução dos prédios altos

Prédios altos representam uma das maiores maravilhas e um dos itens mais característicos de nossos tempos modernos, mas eles não apareceram da noite para o dia. Sua existência é o resultado de inovação, descoberta e experimentação contínuas.

Houve tantas inovações e momentos de revolução durante a evolução dos arranha-céus que é difícil escolher os mais importantes. O URBAN HUB sentou-se com Dario Trabucco, Research Manager do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), para ouvir o que ele considera alguns dos mais importantes marcos no desenvolvimento dos arranha-céus.

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Marcos da sustentabilidade urbana - Hoje, o planejamento urbano cria marcos futuros para cidades que transmitem novas mensagens de sustentabilidade, escolhas ecológicas e uma forma responsável de viver.
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Criado em 24/05/2016

1852 – Elevadores tornam possível atingir maiores alturas

Em 1852, Elisha Otis inventou o primeiro “elevador de segurança” do mundo, com um mecanismo de captura que poderia proteger passageiros se um cabo rompesse. Pouco depois, em 1857, o primeiro elevador de passageiros foi aberto ao público no E.V. Haughwout Building, na cidade de Nova Iorque.

Agora que escadas não tornavam mais os andares superiores pouco atraentes, os prédios estavam livres para crescer. Segundo Dario Trabucco, “Os andares de cima antes eram para os pobres, mas o elevador inverteu tudo. Os andares superiores logo ficaram mais atraentes, já que tinham luz natural melhor, ar mais limpo e menos ruídos de trânsito.”

Alguns consideram o Equitable Life Building (1870), de sete andares, o primeiro arranha-céu. Em 1871, o artista Alfred Emslie imortalizou uma imigrante alemã recém-chegada que admirou o prédio e disse, “Das muss der Palast sein!” (Esse deve ser o palácio!).

E. V. Haughwout Building
Conclusão: 1857
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico: neorrenascentismo (italianizante)
Estrutura: fachada de ferro fundido, alvenaria
Andares: 5
Altura: 79 pés/24 metros
Diferencial: primeiro prédio com elevador

Equitable Life Building
Conclusão: 1870
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico: neorrenascentismo (barroco francês)
Estrutura: alvenaria
Andares: 7
Altura: 130 pés/40 metros
Diferencial: primeiro prédio de escritórios com elevador

“A invenção do elevador é o que deu início ao ‘alto’. Isso afetou tudo o que veio depois.”

Dario Trabucco

Research Manager, Council on Tall Buildings and Urban Habitat

 

 

Biografia curta: Dario Trabucco
Dario Trabucco é um pesquisador titular em tecnologia predial na Universidade de Veneza (IUAV), Itália. Sua pesquisa inclui a análise ACV de prédios altos, a estrutura do núcleo de serviços e a renovação de prédios altos.

Trabucco trabalha como Research Manager na CTBUH e estabeleceu o Escritório de Pesquisa da CTBUH em Veneza, na Itália. Ele foi Principal Investigator nos estudos da CTBUH sobre megacolunas de compósito e tecnologias de amortecimento em prédios altos.

 

1916 – Lei de zoneamento de Nova Iorque

Trabucco em seguida explicou o próximo marco importante na construção de prédios altos: “A Resolução de Zoneamento de 1916 mudou o formato dos prédios no centro de Nova Iorque e aos poucos os prédios de outras cidades começaram a ficar muito parecidos.”

A resolução foi feita para evitar que prédios bloqueassem o sol no nível da rua. Ela fez isso, restringindo torres a certa porcentagem do tamanho do lote. Arquitetos interpretaram a resolução, projetando torres com vários “recessos”, em que o prédio fica mais estreito à medida que cresce.

Segundo a fundadora do Skyscraper Museum, Carol Willis, essa lei de zoneamento “tornou-se a principal inspiração por trás de um novo estilo no design de arranha-céus e de uma nova visão da metrópole* moderna.” No final, a resolução resultou em muitos belos arranha-céus art déco dos anos 20 e 30 e marcou o ponto em que arquitetos pararam de imitar modelos europeus clássicos.

 

 

*Willis, C. (1986). Zoning and Zeitgeist: The Skyscraper City in the 1920s. Journal of the Society of Architectural Historians, 45(1), 47–59.

Chrysler Building
Conclusão: 1930
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico:
art déco
Estrutura: aço
Andares: 77
Altura: 1.046 pés/318,9 metros
Diferencial: prédio mais alto do mundo de 1930-1931

Empire State Building
Conclusão: 1931
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico:
art déco
Estrutura: aço
Andares: 102
Altura: 1.454 pés/443,2 metros
Diferencial: prédio mais alto do mundo de 1931 a 1971

1950s – Ascensão de arranha-céus com parede-cortina

Em 1952, o Lever House foi construído com uma parede-cortina altamente lustrada. Não foi o primeiro exemplo dessa técnica, mas seu estilo inspirou inúmeros prédios em Nova Iorque e em todo o mundo. Trabucco explicou: “O vidro do teto ao chão, junto com melhor luz e ventilação, significou que os andares individuais podiam ser bem mais volumosos.”

Esse estilo arquitetônico de torres de vidro retangulares tornou-se o padrão de arranha-céus do Estilo Internacional. As paredes-cortina de vidro, que não são estruturais, maximizaram o espaço utilizável dos andares ao melhorar a penetração de luz externa.

Lever House
Conclusão: 1952
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico: internacional
Estrutura: casca de vidro, armação de aço
Andares: 21
Altura: 307 pés/93,6 metros
Diferencial: primeiro prédio de escritórios com parede-cortina totalmente lustrada

Willis Tower (antiga Sears Tower)
Conclusão: 1974
Local: Chicago, EUA
Estilo arquitetônico: internacional
Estrutura: casca de vidro, armação de aço
Andares: 108
Altura: 1.729 pés/527 metros
Diferencial: prédio mais alto do mundo de 1974 a 1998

1973 – Crise do petróleo

A crise do petróleo de 1973 deu início ao movimento de sustentabilidade na arquitetura”, explica Trabucco. “Antes disso, prédios que pareciam caixas pretas tinham ficado populares. Seu lustre preto bloqueava muita luz natural e, como não era possível abrir as janelas, eles também exigiam muito mais energia para serem resfriados.”

Trabucco explica que a mudança é mais bem visualizada, comparando o prédio Tour Areva (concluído em 1974 com o Tour Fiat) ao Tour Total (concluído em 1985). Inicialmente, as torres foram planejadas como torres gêmeas, mas após a conclusão da primeira, a crise interveio e o Tour Total foi concluído com uma filosofia de design muito mais sustentável.

O monolito preto Tour Areva e seu primo brilhante Tour Total

2001 – Os ataques de 11 de setembro como ponto de virada

O 11 de setembro pode ser visto como o ponto de virada numa revolução que já estava acontecendo”, diz Trabucco. É claro que a tragédia teve um impacto direto em prédios, como nas áreas de segurança contra incêndios e de projeto de rotas de fuga, mas ela acabou marcando a transição de uma tipologia de prédios altos para outra.

Trabucco continuou: “No início dos anos 1990, as pessoas teriam previsto que o próximo ‘prédio mais alto’ seria uma torre de escritórios numa cidade americana com estrutura de aço. Desde o 11 de setembro, preveríamos um prédio na Ásia ou no Oriente Médio e seria uma torre de uso misto feita de concreto.”

Mas a América do Norte não parou de construir arranha-céus. O One World Trade Center se tornou o prédio mais alto no hemisfério oeste quando abriu em 2014, ressurgindo como uma fênix de suas cinzas.

One World Trade Center
Conclusão: 2014
Local: Nova Iorque, EUA
Estilo arquitetônico: pós-moderno Construção: aço e concreto
Andares: 94 Altura: 1.776 pés/541,3 metros
Diferencial: prédio mais alto no hemisfério oeste (em maio de 2016)

Shanghai Tower
Conclusão: 2015
Local: Xangai, China
Estilo arquitetônico: futurismo pós-moderno/chinês
Construção: concreto reforçado
Andares: 128
Altura: 2.073 pés/632 metros
Diferencial: segundo prédio mais alto do mundo (em maio de 2016)

Burj Khalifa
Conclusão: 2010
Local: Dubai, EAU
Estilo arquitetônico: futurismo pós-moderno/islâmico
Construção: concreto reforçado
Andares: 163
Altura: 2.723 pés/829,8 metros
Diferencial: prédio mais alto do mundo (em maio de 2016)

“Por trás de cada prédio alto, há uma personalidade forte tentando fazer uma afirmação muito ousada. Criar um prédio muito alto é essencialmente criar uma nova capital mundial. Cidades como Dubai, Taipei, Shenzen e Guangzhou não eram tão conhecidas até construírem arranha-céus que chamaram a atenção do mundo.”

Dario Trabucco

Research Manager, Council on Tall Buildings and Urban Habitat

20?? – O futuro das alturas

Quando perguntamos que tipo de prédio Trabucco esperava ver no futuro, ele disse: “Estou convencido de que prédios não precisam mais ser projetados como estruturas autônomas. Se os prédios se tornarem mais interligados nos últimos andares, teremos muito mais redundância em termos de fornecimento de energia e água, assim como rotas secundárias de fuga e de salvamento.”

Agora que os níveis da rua estão ficando mais cheios”, continuou Trabucco, “a ligação interpredial e espaços comunitários nas alturas ajudariam a aliviar a congestão no nível térreo e a fazer a vida em prédios altos mais sustentável socialmente.”

Um ambiente com prédios conectados também precisaria encontrar soluções para viagens interprediais. Isso poderia ocorrer na forma de elevadores e passarelas móveis separadas, mas uma solução mais lógica seria elevadores, como o MULTI, que também pode se mover horizontalmente e num circuito de um prédio ao outro.

“Costumo evitar a palavra ‘história’ quando falo sobre prédios: é mais uma evolução. A ‘história’ está no passado, mas o desenvolvimento de prédios altos ainda está em andamento.”

Dario Trabucco

Research Manager, Council on Tall Buildings and Urban Habitat

Jeddah Tower (Kingdom Tower)
Conclusão (planejada): 2018
Local: Jeddah, Arábia Saudita
Estilo arquitetônico: futurismo pós-moderno/islâmico
Construção: concreto reforçado
Andares (planejado): 167
Altura (planejada): 3.281 pés/1.000+ metros

Stage Image 1: New York City Skyscrapers by Kevin Jarrett, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 2: The Chrysler Building by Howard Yang Photography, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 3: Empire State building, New York | USA by Pablo Pola Damonte, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 4: Lever House by Rafael Chamorro, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 5: Willis Tower, Chicago by Rob Young, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 6: Tours Areva Total by Vincent XXXXXX, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 7: Shanghai Tower by Chinainfocenter, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 8: Burj Khalifa by Zoemies …, licensed under CC BY 2.0

Stage Image 9: One World Trade Center by Dirk Steingäßer, licensed under CC BY 2.0